A equipa não usa o CRM. O que rever antes de trocar?
Um diagnóstico prático para distinguir problemas de ferramenta, processo e adoção.
O CRM ajuda a fazer o trabalho?
Quando se pede à equipa que registe informação, é preciso explicar como essa informação melhora o seu trabalho. Se o benefício se resume a alimentar um relatório da direção, o preenchimento corre o risco de ser adiado até à próxima reunião.
Uma boa primeira pergunta é: o que consegue o comercial fazer mais depressa ou com mais contexto quando usa o CRM? Preparar uma chamada, consultar o histórico, perceber o próximo passo e recuperar uma oportunidade são utilidades concretas.
Quatro pontos de diagnóstico
As etapas representam acontecimentos observáveis?
“Em acompanhamento” pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Uma etapa deve ter um critério de entrada e de saída. Se duas pessoas classificarem a mesma oportunidade de forma diferente, o relatório do pipeline perde consistência.
Os campos pedidos têm uma finalidade?
Um campo obrigatório acrescenta esforço. Esse esforço deve corresponder a uma decisão, uma ação ou uma necessidade operacional. Reveja campos sem utilização e separe a informação essencial no primeiro contacto daquela que só se torna necessária mais tarde.
Existe um responsável pelo próximo passo?
A qualidade do CRM não depende apenas de preencher dados. Também depende de manter o trabalho em movimento. Uma oportunidade sem responsável, próxima ação ou data deve ser visível na rotina da equipa.
A direção utiliza a informação registada?
Se as decisões são tomadas fora do CRM, com ficheiros paralelos e perguntas repetidas, a equipa recebe um sinal contraditório. A rotina de gestão deve demonstrar que a informação é utilizada e que vale a pena mantê-la atualizada.
Testar a melhoria num âmbito reduzido
Escolha um pipeline ou uma equipa. Simplifique as etapas, reduza os campos ao necessário e defina uma rotina de revisão. Acompanhe as dificuldades reais antes de acrescentar automações.
O teste deve observar tanto a utilização como a qualidade. Entrar na plataforma todos os dias não significa que os negócios estejam atualizados. Prefira sinais como próximos passos definidos, oportunidades sem atividade e consistência das razões de perda.
Quando considerar uma mudança de ferramenta
Uma substituição pode fazer sentido quando existem requisitos essenciais que a solução não consegue satisfazer, limitações de integração relevantes ou um custo total desajustado. A decisão deve incluir o trabalho de migração, limpeza, formação e manutenção.
Registe os requisitos antes de comparar plataformas. Caso contrário, é fácil trocar de interface e levar os mesmos problemas para o sistema seguinte.
Uma migração melhora a ferramenta disponível. O processo precisa de ser resolvido de forma explícita.
Sobre o autor
Rui Martins é consultor e cofundador da SmartLinks. Trabalha a ligação entre marketing, vendas, dados e tecnologia.