IA nas empresas: começar por uma tarefa, com critérios
Como escolher um primeiro piloto de inteligência artificial e decidir se vale a pena alargá-lo.
Escolher uma tarefa que se consegue avaliar
“Usar mais IA” não define um resultado. Preparar uma primeira versão de um relatório a partir de fontes conhecidas já permite descrever entradas, saída esperada e revisão necessária.
Uma tarefa frequente, com fronteiras claras e erros detetáveis, pode ser um bom ponto de partida. Se ninguém consegue explicar o que distingue um bom resultado de um mau resultado, falta trabalho de definição antes de testar modelos.
Verificar a informação de partida
A qualidade da saída depende também das fontes fornecidas. Procedimentos desatualizados, versões contraditórias e informação sem responsável dificultam o trabalho, com ou sem IA.
Identifique a fonte de referência, quem a mantém e que informação pode ser utilizada na ferramenta escolhida. Defina a atualização e o acesso antes de transformar essa fonte numa dependência do processo.
Definir critérios antes do primeiro resultado
- Correção: que factos precisam de ser confirmados?
- Completude: que elementos têm de estar presentes?
- Utilidade: a saída permite executar o próximo passo?
- Esforço: quanto tempo exige a preparação, revisão e correção?
- Responsabilidade: quem aprova o resultado e trata as exceções?
Estes critérios ajudam a comparar modelos sem confundir fluência com qualidade. Uma resposta bem escrita pode continuar a omitir informação essencial ou a introduzir afirmações sem suporte.
Comparar o processo completo
Registe uma referência da forma atual de trabalhar. Depois teste a utilização de IA em exemplos representativos, incluindo situações menos simples. O benefício deve considerar o ciclo completo, desde a preparação das fontes até à aprovação.
Se a primeira versão sai depressa mas exige uma revisão extensa, a poupança aparente pode desaparecer. Por outro lado, o valor pode estar na consistência, na cobertura ou na capacidade de preparar alternativas, mesmo quando a poupança de tempo é pequena.
Uma decisão no final do piloto
Defina uma data de revisão e três resultados possíveis: continuar, ajustar ou parar. Documente o que funcionou, as falhas e as condições em que a aplicação pode ser utilizada.
Só depois faz sentido alargar a outras pessoas ou integrar a tarefa num processo maior. Essa expansão precisa de manter as fontes, os critérios e a responsabilidade que tornaram o primeiro teste avaliável.
A pergunta útil é: esta aplicação melhora este trabalho, com um esforço e um risco aceitáveis?
Sobre o autor
Rui Martins é consultor e cofundador da SmartLinks. Trabalha a ligação entre marketing, vendas, dados e tecnologia.