Rui Martins
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Inteligência artificial

IA nas empresas: começar por uma tarefa, com critérios

Como escolher um primeiro piloto de inteligência artificial e decidir se vale a pena alargá-lo.

4 min de leituraAtualizado em
Resposta breveUm primeiro piloto de IA deve partir de uma tarefa delimitada, com informação acessível, um responsável e critérios de qualidade. Compare o resultado com a forma atual de trabalhar, incluindo o tempo de revisão e correção.

Escolher uma tarefa que se consegue avaliar

“Usar mais IA” não define um resultado. Preparar uma primeira versão de um relatório a partir de fontes conhecidas já permite descrever entradas, saída esperada e revisão necessária.

Uma tarefa frequente, com fronteiras claras e erros detetáveis, pode ser um bom ponto de partida. Se ninguém consegue explicar o que distingue um bom resultado de um mau resultado, falta trabalho de definição antes de testar modelos.

Verificar a informação de partida

A qualidade da saída depende também das fontes fornecidas. Procedimentos desatualizados, versões contraditórias e informação sem responsável dificultam o trabalho, com ou sem IA.

Identifique a fonte de referência, quem a mantém e que informação pode ser utilizada na ferramenta escolhida. Defina a atualização e o acesso antes de transformar essa fonte numa dependência do processo.

Definir critérios antes do primeiro resultado

  • Correção: que factos precisam de ser confirmados?
  • Completude: que elementos têm de estar presentes?
  • Utilidade: a saída permite executar o próximo passo?
  • Esforço: quanto tempo exige a preparação, revisão e correção?
  • Responsabilidade: quem aprova o resultado e trata as exceções?

Estes critérios ajudam a comparar modelos sem confundir fluência com qualidade. Uma resposta bem escrita pode continuar a omitir informação essencial ou a introduzir afirmações sem suporte.

Comparar o processo completo

Registe uma referência da forma atual de trabalhar. Depois teste a utilização de IA em exemplos representativos, incluindo situações menos simples. O benefício deve considerar o ciclo completo, desde a preparação das fontes até à aprovação.

Se a primeira versão sai depressa mas exige uma revisão extensa, a poupança aparente pode desaparecer. Por outro lado, o valor pode estar na consistência, na cobertura ou na capacidade de preparar alternativas, mesmo quando a poupança de tempo é pequena.

Uma decisão no final do piloto

Defina uma data de revisão e três resultados possíveis: continuar, ajustar ou parar. Documente o que funcionou, as falhas e as condições em que a aplicação pode ser utilizada.

Só depois faz sentido alargar a outras pessoas ou integrar a tarefa num processo maior. Essa expansão precisa de manter as fontes, os critérios e a responsabilidade que tornaram o primeiro teste avaliável.

A pergunta útil é: esta aplicação melhora este trabalho, com um esforço e um risco aceitáveis?

Sobre o autor
Rui Martins é consultor e cofundador da SmartLinks. Trabalha a ligação entre marketing, vendas, dados e tecnologia.

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